sexta-feira, 15 de novembro de 2013

ESTUDO REVELA: PESTICIDAS AGRÍCOLAS PROIBIDOS SÃO ASSOCIADOS À ENDOMETRIOSE!!

imagem cedida por Free Digital Photos

Já que está um burburinho em meio a nova pesquisa que saiu sobre pesticidas já proibidos versus endometriose. Um dos assuntos mais comentados do momento é sobre a nova pesquisa que saiu sobre a doença. Não é novidade que a maioria das mulheres tem a chamada menstruação retrógrada. Daí surge uma das prováveis teorias do surgimento da endometriose, a mais aceita. Porém, a questão que ainda não tem resposta conclusiva entre pesquisadores é: “Por que apenas uma porcentagem destas mulheres que tem menstruação retrógrada desenvolve endometriose?”. Se a maioria das mulheres tem a menstruação que reflui pelas trompas e não desce pelo canal da vagina, porque nem todas desenvolve a doença? A endometriose é a doença ginecológica mais estudada do mundo nas últimas décadas. Mais de 20 mil estudos já foram publicados e a doença ainda é difícil de explicar, já que não tem apenas um fator causador. Sabemos que além da genética (estudos apontam que quem tem parente de primeiro grau tem 7 vezes mais chances de desenvolver a doença), fatores imunológicos e também ambientais levam ao desenvolvimento da doença.

Já falamos aqui que o Bisfenol A, um dos principais componentes do plástico, causa cânceres e endometriose. Quase tudo que ingerimos hoje tem a presença de xenoestrogênios  (substâncias químicas que imitam o estrogênio em nosso corpo). Agora, além dele, cientistas descobriram outro vilão da endometriose: pesticidas agrícolas. De acordo com novo estudo publicado no jornal Environmental Health Perspectives, pesquisadores do Centro de Pesquisa de Câncer Fred  Hutchinson  - Fred Hutchinson Cancer Research Center em Seattle -, nos Estados Unidos, descobriram que mulheres com níveis mais altos de pesticidas no sangue também são mais propensas a ter endometriose. Alguns agrotóxicos agrícolas derivados, como o Mirex e o beta – hexaclorociclohexano - tidos como poluentes orgânicos persistentes (os POP’s) -,  contribuem para o desenvolvimento da endo, já que uma vez em contato com o corpo, ele imita a ação do estrogênio (hormônio que alimenta a doença). Este estudo colheu amostras de sangue de 248 mulheres portadoras da doença comprovada por cirurgia e 538 mulheres sem a doença. Os resultados da pesquisa mostraram que as mulheres que tiveram exposição superior aos dois pesticidas organoclorados citados mirex tiveram um aumento do risco de endometriose entre 30-70%. A exposição ao mirex aumenta em 50% o risco de as mulheres desenvolverem a endo e ao beta – hexaclorocicloexano de 30 a 70%.

A preocupação dos estudiosos é ter encontrado estas substâncias no sangue das mulheres mesmo os Estados Unidos tendo proibido o uso desses pesticidas há mais de três décadas. Isso mostra que ações do passado estão presentes nos dias atuais e estarão presentes em muitas décadas futuras. "O que despertou o nosso interesse é que estes produtos químicos são tão altamente persistentes e levam anos para se degradar no meio ambiente. Foram detectadas estas substâncias químicas no sangue das mulheres apesar de eles terem sido proibidos ou severamente restringidos nos Estados Unidos décadas atrás”, diz Kristen Upson , a principal autora do estudo de pós-doutorado do Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental. “As substâncias químicas permanecem no ambiente e essas substâncias que foram utilizadas no passado têm efeitos na saúde da geração atual de mulheres em idade reprodutiva", afirmou a cientista.

O Mirex foi muito usado para controle de formigas-de-fogo, cupins e outros insetos e também como retardante de chama para plásticos, borrachas e materiais elétricos. Nos EUA foi proibido no fim da década de 1970 por ser muito persistente ao meio ambiente e altamente resistente à degradação química. As principais fontes de exposição humana a este pesticida estão nos peixes de águas contaminadas e também a exposição em locais onde foi usado este agrotóxico no passado. Já o beta-hexaclorociclohexano (beta – HCH) também foi proibido há mais de 30 anos nos EUA, mas ainda podem ser encontrados em águas, solos e também no ar e na ingestão de alimentos, todos contaminados. De acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças, o beta- HCH tem uma meia-vida de sete anos no corpo, já que ele é armazenado na gordura e pode ser encontrado em alguns produtos lácteos, alimentos gordos e peixes. Também pode ser encontrado em produtos para combater piolhos e também estão podem estar presentes em alguns xampus e loções.

No Brasil, eles só foram proibidos em 2005, após o país ser um dos 152 a assinar termo de proibição na Convenção de Estocolmo em 2001. Porém, a gente não sabe se realmente os agricultores pararam de usá-los no país. A pesquisa feita nos Estados Unidos comprovou que os males causados por esses pesticidas ainda estão presentes no ambiente e pode acumular-se na cadeia alimentar. A meu ver, o mais triste é saber a ação do próprio homem está deixando sua espécie mais e mais doente. A cada época irão surgir mais e mais doenças, e cada vez mais, doenças mais perigosas por conta da ganância e do egoísmo do ser humano. Uma pena que a maioria das pessoas não sabe, mas os hormônios, em especial, o estrogênio está presente em muitas coisas, até mesmo quando comemos algo que precisou de hormônios para acelerar o crescimento, como é o caso do frango, por exemplo. 

Aos desavisados, a endometriose é uma doença que causa dores incapacitantes nas mulheres, muitas vivem presas às suas camas, não conseguem nem andar, além de ser uma das doenças femininas que mais causa infertilidade e acomete mulheres na fase mais produtiva de suas vidas, seja no começo ou no término dos estudos, ou quando iniciando suas carreiras e ou começando seus relacionamentos amorosos e até mesmo suas famílias. Por isso a doença causa muito sofrimento e impactando a vida de 176 milhões de meninas e mulheres no mundo todo. Por isso, há 3 anos e 7 meses eu luto pelo reconhecimento da doença como social e de saúde pública no Brasil. Junte-se a mim e continue votando no A Endometriose e Eu, no prêmio TopBlog Brasil 2013. Entre na campanha, "Afinal, o blog foi o primeiro "Seja do Bem, vote pelo reconhecimento da endometriose como doença social e de saúde pública, Vote no A Endometriose e Eu, no prêmio TopBlog Brasil 2013". Conto com a ajuda de todos. Afinal, uma andorinha não faz verão sozinha! A união faz a força e juntos somos mais fortes. Beijo carinhoso!!!

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