quinta-feira, 31 de março de 2011

VOLTA À ACUPUNTURA E EXAMES!!

No fim de fevereiro voltei à sessão de fisioterapia na ABA- Associação Brasileira de Acupunura. Até agora, já fui a três. Em outubro de 2010, comecei o tratamento quinzenal lá. O bom é que além de colocar as agulhas para a dispareunia, eles colocam também para todas as dores. Dor de cabeça, nas costas, nas pernas e, até para o nosso emocional. Na última sessão, dia 24, última quinta-feira, além das dores habituais, no abdômen, nas pernas e na lombar, eu estava o dia todo com uma dor de cabeça e no pescoço. Nossa!! Aos poucos, a dor foi sumindo. Saí de lá sem a tal dor. Mas, a da perna e a do abdômen, não melhorou, apenas amenizou.

Na sexta, lá estavam elas de novo. Aí, no sábado fui limpar a casa e, pronto. Quase não aguentei terminar a limpeza. Elas voltaram com tudo. Fiquei mal sábado e domingo. Infelizmente, não posso fazer tudo o que fazia antes. Sei que muitas mulheres passam por isso, mas eu pensei que não fosse o meu caso. Na ABA, o atendimento é feito em dupla.

Além do Renato, que já me atendia no ano passado, conheci a Renata. Até parece formação de dupla sertaneja, Renato e Renata. O atendimento é feito pelos alunos da escola, e é gratuito. A próxima é no dia 07 de abril. Aí, eles vão fazer a minha avaliação, para passar o meu tratamento à outra dupla. Na última sessão, eu não vi a Eleonora, professora da ABA, que conheci na UNIFESP, e me convidou para fazer as sessões com as agulhas.

Na terça-feira, dia 29, fui ao Laboratório Cura e fiz o ultrassom transvaginal, mas acho que os malditos não apareceram. É provável que eu precise fazer a ressonância. Eu até prefiro. O Dr. Jacob, que realizou o exame, diz que tem inflamações pélvicas. Quando ele apertou as laterais, para ver ovários, trompas, eu gritei de dor. Mas, do lado esquerdo, doeu muito, mais muito mais. Quando foi para o ligamento úterossacro também doeu. Aliás, só o apoio que já tinha na cama, já doeu toda essa parte.

Seja o que for a única coisa que quero é ficar um pouco sem dor. Hoje e ontem, elas aumentram um pouco. Na perna, parece uma pressão, mas também sinto os meus músculos latentes, meio que pulando, na perna, na coxa, na barriga e, às vezes, até nos braços. Fiz também os todos os CA´s, acho que são quatro. Bom, vamos ver o que vai dar! Bom é isso! Vou dormir e tomar mais um comprimidinho de Buscopan. Beijos com carinho!!

domingo, 27 de março de 2011

MAS AFINAL, O QUE É E COMO A ENDOMETRIOSE COMEÇA??

Por ter sido citado em Insensato Coração, no dia 07 de março, em plena segundona de carnaval, o A Endometriose e Eu está com seguidores e leitores no mundo todo. Gente, eu confesso que fiquei impressionada com a repercussão que o blog teve. Com isso, tenho recebido muitos e-mails, até mesmo de minhas seguidoras antigas, pedindo para eu explicar o que é a endo. Eu não sou médica e, muito menos, especialista na doença, mas como portadora e jornalista, acho que dou conta de explicar do meu jeito. Aliás, esse será o tema do meu segundo artigo no site Muriaé na Web, que vou escrever na próxima semana.

Mas, o que é a endometriose? A endometriose nada mais é do que a presença do tecido semelhante ao endométrio (que reveste a cavidade uterina) fora dele. O endométrio é o tecido mais funcional do útero, ou seja, com estímulo hormonal do ovário aumenta sua espessura e diferencia-se para receber o embrião. Caso não ocorra a gravidez, o endométrio descama formando assim a menstruação, e, desta forma, vão ocorrendo os ciclos menstruais. A endometriose não acomete apenas órgãos da pelve ou próxima à ela. A doença também atinge órgãos distantes como pulmão, pleura, olhos, nariz, sistema nervoso central, dentre muitos outros.

A endometriose não tem idade. Uma mulher pode ter endo aos 10, aos 20 anos, como também aos 40. Inclusive, já falei sobre isso aqui. Em agosto de 2010, conheci a Cris, uma mulher de 39 anos, que teve o começo de sua endometriose aos 38. Esse é um dos motivos, pelo qual, a doença é tão perigosa. Da menarca, a primeira menstruação, a menopausa, a última, qualquer uma está sujeita a ter endo. No início do século XX, a mulher tinha cerca de 40 ciclos menstruais ao longo de sua vida reprodutiva. Atualmente, como priorizamos a nossa carreira, menstruamos muito mais, e temos 400 ciclos na vida moderna.

Hoje, a endometriose atinge cerca de 10 a 15% das mulheres em "idade reprodutiva". Na verdade com o estímulo dos ovários a doença se torna mais presente nesta faixa etária. Mas o certo mesmo é falar que a endometriose atinge a mulher em qualquer fase de sua vida. A estatística baseada apenas nas mulheres em idade reprodutiva (leia-se de 15 a 45 anos) fala em seis milhões, mas de acordo com o Censo 2010, a população está mais feminina. Mais um motivo, pelo qual, a endometriose merece toda atenção e tratamento adequado. Já somos 97.342.162 contra 93.390.532 homens. Então, cerca de 10 a 15% das mulheres que têm seus ciclos menstruais têm endo. No mundo são mais 176 milhões. Muita gente, não, quase um Brasil todo de mulheres doentes! Pois é, mas pelo fato de nós, mulheres, adiarmos cada vez mais a maternidade, infelizmente, esse número só tende a aumentar. Por isso, além da importância de informar, o Brasil tem que ter uma nova atitude e traçar nova diretriz na chamada Saúde da Mulher.

Infelizmente, a endo não está nos planos da presidente Dilma Rousseff e, muito menos, nos dos ministros Iriny Lopes, da secretaria de políticas para as mulheres, e Alexandre Padilha, da Saúde, como algo a ser abordado em 2011. Aliás, conforme pesquisei, a endometriose cai como uma luva no capítulo III intitulado "Saúde das mulheres, direitos sexuais e direitos reprodutivos", da reunião realizada no Ministério da Saúde, em Brasília, com a presença de Iriny e Alexandre, no dia 7 de fevereiro de 2011. Qual outra moléstia agrega em uma só: saúde das mulheres, direitos sexuais e reprodutivos? A endometriose! Mas o governo só tem políticas de resultado para doenças letais, como alguns cânceres e a AIDS. Precisamos de mudanças sérias na pauta Saúde da Mulher, já em 2011. Não podemos deixar para discutir em 2012, que vai deixar para 2013, 2014 aí vai, do jeito que muitos políticos no Brasil gostam: sempre adiar, mas nunca resolver nada. Temos que ter políticas mais sérias ainda, mas não só aquelas que ficam no papel ou no papo. Temos que ter um forte engajamento para disseminar informações sobre a doença em palestras, campanhas, mas também temos que realizar ações de verdade, que estejam presentes no dia a dia das portadoras. Só nós, portadoras, sabemos o nosso sofrimento e as nossas limitações.

Conforme já falado no A Endometriose e Eu, desde 2004, a endo já é considerada uma doença social na Europa. Sabe por quê? Porque o governo gastava mais dinheiro com as portadoras de endometriose, do que com quem tinha câncer de mama, que, infelizmente, é um dos mais propensos a metástase. Será que o assunto é sério? Ou não? De acordo com especialistas, que abordaram o tema no programa Medicina & Saúde, é a segunda causa de cirurgias em todo o mundo, só perdendo para a cesárea. Só que, no caso da endo, não tem como tentar o parto normal! Bom, enquanto não vamos a Brasília mostrar aos nossos políticos, o quanto endo é perigosa, vamos fazer a nossa parte. Por ora, eu faço a minha, que é a de informar o maior número de mulheres possível.

O principal sintoma é a cólica menstrual muito forte. Mas, atenção: você pode ter essas dores de ‘cólica’, antes, durante ou depois da menstruação. É só ficar atenta! Se, a sua cólica, não melhorar com um primeiro remédio, investiga. É melhor descobrir que não tem nada, do que ser surpreendida, cerca de sete a 10 anos depois (tempo médio para o diagnóstico), que você pode ter a endo severa, com a possibilidade de perder parte ou a totalidade de algum órgão. A dispareunia, a dor na relação sexual, a meu ver, é uma das piores consequências da endo. É também um dos principais sintomas. Outra que chama a atenção é a alteração do nosso intestino, quando estamos menstruadas. Mulheres fiquem atentas!! Espero que gostem do post. Beijos com carinho!!

quarta-feira, 23 de março de 2011

O A ENDOMETRIOSE E EU É NOTÍCIA NO BLOG DA JORNALISTA DE SAÚDE CLAUDIA COLLUCCI!!

Há cerca de 10 dias, a jornalista Claudia Collucci fez uma matéria na Folha e S. Paulo sobre a unha-de-gato, um fitoterápico descoberto por pesquisadores da UNIFESP e da UFMA, que melhora as dores e as lesões das portadoras de endo. Conforme já falei aqui, enviei um e-mail a ela, parabenizando-a pelo artigo e falei do blog. Eu sempre leio as reportagens de Claudia, que considero uma das melhores jornalistas da área de saúde do país. Hoje, pela manhã, ao abrir o meu e-mail, tinha um dela, dizendo que fez um post no blog dela, "Quero ser Mãe", falando sobre o A Endometriose e Eu. Gente, confesso que fiquei muito emocionada. Chorei, de verdade. Eu ainda continuo passando por dificuldades, ainda não tenho o meu trabalho, ainda não tenho nenhum salário para receber no fim mês. Portanto, ainda continuo na mesma.

Na verdade, digo que o blog salvou a minha vida. Eu estava sem rumo e sem prumo, sem nenhuma vontade de viver, só pensava em morrer, como a maioria das portadoras, quando uma inspiração Divina me deu a ideia de fazê-lo. Escrever é tudo que sempre quis fazer na minha vida. Ainda relutei por dois, três meses. Mas, durante esse tempo, o meu namorado me perguntava todos os dias: “E o blog, você não vai fazer?” Até que, por insistência dele, resolvi fazer logo. Durante muito tempo, ele foi o meu único companheiro das minhas dores diárias. Sempre escrevi com muito carinho e amor. A minha vida ainda não está fácil. O que me deixou sem chão, não foi descobrir que sou portadora de uma doença enigmática, que ainda não tem cura. Foi perder o meu trabalho e nunca ter conseguido outro, por conta do meu tratamento de fisio na UNIESP. Foi ver que, em sete anos de carreira, fui para a estaca zero. E, tudo isso, por preconceito dos empregadores de nosso país. Desde os meus 10 anos de idade que quero ser jornalista. Só Deus sabe como estou e como passo os meus dias. Mas, aprendi que, tudo tem o tempo que Ele quer e não o nosso. Apesar de tantas cosias ruins que a endo me trouxe, coisas boas também vieram. Aprender a ter paciência e a esperar o tempo de tudo foram algumas delas. Eu era uma pessoa impaciente e queria tudo para agora. Não sou mais assim. Como diz o ditado: ‘Há males que vem para o bem’.

Por isso, ler hoje pela manhã, a matéria de uma brilhante jornalista, que escreve para um dos melhores jornais do país, elogiando a minha iniciativa, e, ainda por cima, sentindo as minhas dores, me fez chorar muito, mas desta vez, de emoção. Espero que vocês gostem. Beijos com carinho!!

A endometriose e suas dores

Fiquei feliz de ver o tema endometriose sendo abordado recentemente na novela “Insensato Coração”. Todas nós aqui sabemos o quanto essa doença é devastadora para as mulheres. Em geral, o problema está associado com a dificuldade de gravidez, mas os danos podem ir muito além do campo da fertilidade. E o pior: são ainda mais obscuros e difíceis de serem relatados.
Por isso, foi com imensa satisfação que conheci dias atrás, ainda durante as minhas férias, o trabalho muito bacana feito pela minha colega jornalista Caroline Salazar, portadora de endometriose e autora do blog “A endometriose e eu” http://aendometrioseeeu.blogspot.com/, que, aliás, foi citado na novela na Globo.
No espaço, Caroline conta de forma surpreendentemente sincera o quanto a doença tem afetado a sua vida _do campo profissional ao sexual_ e dá voz a outras mulheres com histórias parecidas. Um dos problemas que ela ressalta é talvez o mais difícil de ser abordado. Trata-se da dispareunia, que significa dor durante a relação sexual. Já ouvi relatos de que se trata de um sofrimento muito grande, mas, confesso, que não imaginava o tamanho dele até ler o relato da corajosa Caroline.
Para aliviar essa dor, existe a fisioterapia uroginecológica. Nela, as fisios tentam dissolver os nódulos de tensão de todo o assoalho pélvico (vagina), massageando o períneo com os dedos. Caroline faz esse tratamento na UNIFESP, porque nenhum plano de saúde tem cobertura para isso. Infelizmente.
E falando em UNIFESP, na semana passada fiz uma reportagem sobre uma pesquisa de lá com um fitoterápico à base de uma planta conhecida como "unha-de-gato", que tem melhorado a dor e as lesões causadas pela endometriose. Espero que gostem da notícia. O link é: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/888330-fitoterapico-melhora-os-sintomas-da-endometriose.shtml

Blog Claudia Collucci - Quero ser Mãe: http://claudiacollucci.blog.uol.com.br

sábado, 19 de março de 2011

VOLTA DA LIBIDO E AVALIAÇÃO DE FISIOTERAPIA NA UNIFESP!!

Desculpa pelo meu sumiço, mas eu estava correndo com algumas coisas. Em breve, terei mais uma grande novidade para contar. Na quarta-feira, dia 16, voltei a UNIFESP para a minha avaliação de fisioterapia. Desde outubro de 2009, eu estou lá para tratar a minha dispareunia. Daí percebe-se o quanto eu estava debilitada. Na verdade, a avaliação foi apenas uma conversa para preenchimento da minha ficha. Para continuar o tratamento, preciso fazer alguns exames que o Dr. Hélio pediu, para confirmar se as minhas dores são apenas musculares mesmo, ou se a endo voltou. Se for só muscular, começo o tratamento na fisio de osteomuscular que mistura exercícios de alongamento, RPG e cinesioterapia. Mas, o mais importante é a normalização da minha libido. Como nada é perfeito, só é uma pena o meu namorado não morar mais em Sampa, pelo menos por ora. Mas tudo bem, não tem problema. O importante é que depois de muito, mas muito tempo mesmo, não me sinto mais como uma pessoa assexuada. Posso dizer que rolou uma vez e, que, foi muito bom. Fazer sexo é bom sim, mas desde que seja com prazer. Porém, quem tem a dispareunia, infelizmente, não consegue ter um pingo de prazer. Porque dói muito, muito mesmo. Dá até um trauma. Lá na UNIFESP até acharam que eu estava com um bloqueio psicológico, o que pode acontecer, viu gente. Porque a dor é muito intensa, é uma das mais incapacitantes que existe. Infelizmente não são todos os parceiros que entendem. É uma pena! Por isso, se algum companheiro de uma mulher com endometriose ler este post, peço a ele para ter muita compreensão, respeitar e ter muito carinho por suas mulheres. A endo é cruel justamente por ‘matar’ a mulher que existe dentro de nós. Não temos prazer, não temos vontade nenhuma de fazer sexo. Essa é a grande verdade! Não foi a mulher que mudou de uma hora pra outra. Isto é uma das consequências e, a meu ver, uma das mais graves que a endometriose nos traz, pois, caso a mulher não tenha um parceiro com uma cabeça legal, ela vai ainda mais pro fundo do poço. Daí muitas tentam até o suicídio. Graças a Deus, eu tive esta sorte. O meu namorado nunca me cobrou nada, mesmo antes de nós sabermos que eu estava doente. Com a dispareunia, o orgasmo não vem com prazer, mas sim, com muita, mas muita dor. Além de ter uma cabeça legal, a compreensão e ajuda do companheiro é fundamental para a recuperação de nós, mulheres. Com muito amor e carinho voltaremos a ter a nossa vida de volta, em todos os sentidos! Beijos com carinho!!

terça-feira, 15 de março de 2011

UNIFESP E UFMA DESCOBREM REMÉDIO QUE REDUZ A DOR DA ENDOMETRIOSE!!

Mais uma grande novidade, para nós, portadoras de endo!! Como diz o ditado: a esperança é a última que morre! Eu concordo plenamente! Ontem pela manhã, segunda-feira, dia 14, quando abri o caderno de Saúde, do jornal Folha de São Paulo, me deparei com uma notícia maravilhosa: fitoterápico à base de unha-de-gato controla sintomas da endometriose. A matéria da brilhante jornalista Cláudia Collucci, revela que estudo realizado pelas universidades federais de São Paulo (UNIFESP) e do Maranhão (UFMA), em ratas, descobriu que remédio à base de unha-de-gato reduz a dor e as lesões, em até 60%, das portadoras de endo. Isso não é uma maravilha!! É a melhor notícia para receber em plena segunda-feira, não é mesmo! Só de melhorar nossas dores, já é um avanço muito grande da medicina. Atualmente, eu ando com muitas dores. Dores abdominais e nas pernas. É horrível pra levantar da cama!

Agora, eu fiquei ainda mais emocionada por saber que parte desse estudo pertence aos pesquisadores da UNIFESP. Ver as palavras do Dr. Schor no jornal me animou tanto. Gosto muito dele. Ele é um ser humano incrível e entende muito bem uma endo mulher. São de médicos assim, humanos, que nós precisamos. Ele também é sempre atencioso e carinhoso. Além de passar total confiança, ele nos dá muita, mais muita esperança mesmo. Ele sempre me dizia... "Caroline vamos ter FÉ que você vai melhorar", ou "... vamos ter FÉ que o Zoladex vai controlar a sua endometriose e você não vai precisar operar". Animada com essa descoberta, fui logo enviando e-mail à jornalista, parabenizando-a pela incrível matéria e perguntei se poderia utilizá-la em meu blog.

Atenciosa, ela respondeu agradecendo e disse que, sim, posso usá-la. Ela está em férias, mas assim que voltar vai escrever sobre o A Endometriose e Eu em seu blog. Cláudia é editora do Quero ser Mãe, um blog superbacana que fala sobre fertilidade. Com certeza, ele poderá ser útil para muitas de minhas leitoras. Particularmnete, eu adoro as matérias da Cláudia. Espero que vocês gostem como eu! Ah, Claudia aborda também outro estudo realizado pela UNIFESP, liderado por Dr. Schor, que fala sobre as mutações genéticas do P27, que já falei aqui. Beijo com carinho!!

Fitoterápico melhora os sintomas da endometriose


CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

Um fitoterápico à base de uma planta conhecida como "unha-de-gato" tem melhorado os sintomas da endometriose, doença que causa infertilidade feminina e dor nos períodos menstruais.

Intrigados com o grande número de pacientes que tomam o remédio por conta própria e relatam melhora, pesquisadores começaram a testá-lo cientificamente.
Os resultados do primeiro estudo controlado, feito pelas universidades federais de São Paulo (Unifesp) e do Maranhão (Ufma), em ratas, mostraram que a unha-de-gato conseguiu reduzir em 60% as lesões causadas pela endometriose.

Na doença, o tecido que reveste o útero (endométrio) sai fora dele e atinge outros órgãos da pelve, como intestinos e bexiga. Estima-se que 6 milhões de brasileiras sofram da doença.

Agora, na fase clínica do estudo, o fitoterápico será dado a mulheres e comparado com placebo ou medicamentos hormonais usados no tratamento tradicional da doença. A hipótese é que a planta possua propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras (que melhoram o sistema imunológico).

Antes mesmo dos resultados do estudo clínico, a unha-de-gato tem sido prescrita a pacientes da Unifesp que já usaram, sem sucesso, drogas hormonais ou para aquelas que não podem usar esse tipo de medicamento.

"Os relatos de melhora dos sintomas, principalmente da dor, surpreendem. Eu dei para a minha mulher tomar. Ela tem endometriose e a medicação hormonal não estava funcionando", diz Eduardo Schor, coordenador do ambulatório de endometriose e dor pélvica da Unifesp e um dos autores do estudo.

Segundo ele, a unha-de-gato parece diminuir o processo inflamatório causado pela endometriose na região pélvica. Os pesquisadores ainda não sabem se a planta pode ser usada para ajudar mulheres com dificuldade para engravidar.
"Não não se sabe, por exemplo, se ela altera a espessura de endométrio ou dos mecanismos de ovulação", explica Schor.

Também ainda deverá ser definida a dose ideal do fitoterápico para cada paciente. No comércio, existem cápsulas de 150 mg, feitas a partir da casca da planta.

O ginecologista Carlos Alberto Petta, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), diz que, do ponto de vista conceitual, a unha-de-gato pode melhorar a dor de qualquer processo inflamatório.

"O problema é que, em se tratando de dor, o efeito placebo é muito grande. O ato de escutar essa mulher também melhora a dor."
Para ele, só será possível dizer que a unha-de-gato funciona depois de testá-la em mais estudos.

TERAPIA GÊNICA
Uma outra linha de pesquisa desenvolvida na Unifesp aponta que há mutações genéticas envolvidas na endometriose. Uma delas, chamada de P27, foi descoberta pela equipe de Schor.

A presença dessa mutação aumenta duas vezes as chances de a mulher ter a doença. "O P27 faz com que as células fiquem mais "nervosas" e proliferem mais do que o normal", diz Schor.

A partir dessas descobertas, o grupo trabalha no desenvolvimento de instrumentos de terapia gênica para tratar a endometriose.

"O uso de adenovírus [vírus modificados] carregando genes que restabelecem a normalidade genética já foi testado em cultura de células de endometriose e os resultados foram promissores", conta Schor.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A HISTÓRIA DA LEITORA CRISTIANE PALACIO E SUA ENDOMETRIOSE!!

Hoje, o A Endometriose e Eu conta a história da leitora Cristiane Rodrigues Palacio, de 39 anos, que mora em São Paulo. Eu gosto muito de contar histórias aqui, pois, como cada orgnismo reage de um jeito, as endos não são iguais, inclusive, seus sintomas. Mas a cólica forte e o fluxo intenso nas menstruações são os pontos que muitas de nós temos em comum. Mesmo com sua endometriose mais avançada, descoberta após um aborto espontâneo, Cristiane sempre acreditou que poderia realizar o sonho de sua vida: gerar um filho. Hoje, ela é mãe de João Pedro, de 3 anos. Por conta de o blog ter sido citado em Insensato Coração, na última segunda-feira, dia 7, tenho recebido inúmeros e-mails com a mesma dúvida, será que posso engravidar! Como não sou médica, digo que só o especialista pode responder. Mas, que independente da resposta, o principal é ter FÉ e acreditar que tudo é possível! Basta acreditar e correr atrás. Como Cristiane!

Como muitas de nós, Cristiane também tem o seu anjo, o grande especialista em endometriose Dr. Mauricio Simões Abrão, presidente da Sociedade Brasileira de Endometriose, professor pelo Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas da FMUSP e responsável pelo Setor de Endometriose do HC. Espero que se inspirem nessa história com final feliz! Beijos com carinho!!

“Desde a minha primeira menstruação sentia fortes cólicas. Sou de uma família humilde, e na época, não se ouvia falar desta patologia. Lembro-me que minhas menstruações eram abundantes, a ponto de ter que voltar para casa, e passar vergonha no ônibus a caminho da escola. Em 2001, realizei o grande sonho de minha vida: engravidei. Mas esse sonho durou muito pouco, pois tive um aborto espontâneo. Em 2003, fiz uma laparoscopia e descobri que sou portadora de endometriose em estágio bem avançado. Como fiz a cirurgia sem preparo intestinal, teria que me submeter à outra cirurgia para tirar os focos do intestino. Logo em seguida, entrei em menopausa induzida com uso do Zoladex. Foi uma fase horrível, a injeção me fez passar muito mal. Comecei uma peregrinação com vários médicos, a doença para mim era uma grande incógnita, muitos deles me diziam que, se eu operasse, poderia ter uma lesão no intestino e, como consequência, passaria a usar a bolsa de colostomia (nota da editora: bolsa afixada no abdômen, por meio de uma incisão, com o objetivo de drenar as fezes, quando o intestino grosso, reto ou ânus não funciona normalmente). Muito abatida, e triste com a possibilidade de não poder gerar um filho, minha vida ficou bastante difícil. Não sorria mais para nada, até que resolvi pesquisar tudo sobre a endometriose na internet, e passar a conhecer tudo sobre a doença.

Depois de muito estudo e pesquisa vi que em São Paulo há um grande especialista em endometriose, o Dr Mauricio Simões Abrão. Marquei uma consulta em seu consultório particular na Chácara Santo Antônio. No dia da consulta levei todos os meus exames ordenados por datas, e os apresentei nessa ordem. Para o meu espanto, ele simplesmente tirou todos do lugar. Confesso que fiquei desestabilizada, mas depois entendi que sua atitude foi de propósito. As mulheres com endometriose têm um perfil perfeccionista. Apresentam uma cobrança pessoal de sucesso, competência, e exigência de resultados. Muitas delas são pilares de suas famílias ou de seus núcleos de relacionamentos. São como para-raios de problemas que assumem para si, sofrimentos, preocupações e querem resolver todos os problemas que estão em sua volta, como de seus amigos, irmãos, pais, filhos, até marido e namorados. São exigentes em seus relacionamentos em qualidade e, impulsiona seus parceiros ao sucesso. Quando isso não acontece traz frustrações e acumula decepções. São pessoas de perfil estressadas, ansiosas, e se angustiam em qualquer situação que dependam de terceiros.


Portanto, bagunçar os meus exames foi um jeito de me estudar. Durante a consulta ouvi de um estranho tudo o que sou. Chorei tanto, que gastei uma caixa de lenço.
Esse médico não cura apenas a doença, mas a sua causa. Até me incentivou a correr. Na hora achei uma piada, pois, além de asmática tenho hérnia de disco. Aí, Dr. Mauricio explicou que a atividade física seria necessária para o tratamento contra a endometriose, devido à liberação de endorfina durante o exercício. No início de 2005 fui operada por ele. Na cirurgia precisei retirar sete cm do intestino afetado pela doença. A cirurgia foi um sucesso, a equipe do Dr Mauricio cuidou de mim com muito carinho.

Logo após a recuperação, comecei a fazer caminhadas e, em pouco tempo, a correr. Cheguei a correr 21 quilômeros, participei de uma prova de 10 quilômetros, e até que não fui mal. Passei a gostar mais de mim, e consegui focar minhas forças na tão sonhada gestação. Mas agora me sentindo forte e capaz. E, mais uma vez, o Dr. Mauricio Abrão foi o meu anjinho da guarda. Fiz a FIV (nota da editora: fertilização in vitro) em sua clínica com o Dr João Antônio. Na primeira tentativa engravidei do João Pedro, hoje com três anos. Nunca achei que pudesse sentir algo tão grandioso como o amor que sinto pelo meu filho. Cada vez que olho aquela carinha linda, lembro da dedicação, do carinho e da competência desse profissional, que não tenho dúvidas, foi enviado por Deus. Um beijo carinhoso, Cristiane Rodrigues Palacio, mãe do João Pedro.”

domingo, 13 de março de 2011

BOA-NOVA: CIENTISTAS DESCOBREM DOIS GENES QUE CAUSAM A ENDOMETRIOSE!!

A partir de agora, além de meus relatos e os de outras portadoras de endometriose, você vai encontrar também as principais matérias que tem sido veiculadas sobre a endo. Já que o objetivo do A Endometriose e Eu é informar as pessoas, nada mais justo do que contar o que os pesquisadores mundo afora estão descobrindo a nosso favor. Por conta de Insensato Coração, muitas pessoas passaram a conhecer e a se identificar com o blog. Agradeço por todo carinho que tenho recebido de vários cantos do mundo. Para a estreia, separei uma que traz uma boa-nova. Como diz o ditado: a esperança é a última que morre! Então, vamos ter FÉ, para em breve, descobrirem a cura!Já comecei a editar algumas histórias reais que recebi por e-mail.

Em dezembro de 2010, a Veja Online publicou uma matéria superbacana, que dá esperança para nós e para as futuras portadoras. Cientistas descobrem dois genes responsáveis pelo desenvolvimento da endometriose: os cromossomos 1 e 7. Conforme já dito aqui, Dr. Namir Cavalli, ginecologista especializa do em endo, falou no programa Medicina & Saúde, da jornalista Soraia David, que nos últimos dois anos, a endo foi a doença  mais estudada entre os cientistas e que a doença que mais teve trabalhos publicados no mundo. Aliás, para quem não viu os vídeos do programa, vale a pena. Foi uma grande aula sobre a endo. Eu amei! Então, vamos torcer para que mais estudos sejam realizados para tirar a denominação de doença enigmática. Segue a matéria na íntegra! Beijos com carinho!!

Cientistas identificam genes que causam a endometriose

Os genomas de 5.500 mulheres americanas, inglesas e australianas serviram de base para uma descoberta que pode representar um significativo avanço contra a endometriose - doença que atinge 10% das mulheres em idade reprodutiva. Depois de compará-los ao DNA de outras 10.000 voluntárias saudáveis, os pesquisadores identificaram dois genes responsáveis pelo desenvolvimento da doença: os cromossomos 1 e 7.

O cromossomo 7 responde pelo desenvolvimento do útero e seu revestimento, enquanto o cromossomo 1 está relacionado ao metabolismo hormonal e à formação do trato sexual feminino. A descoberta pode levar a diagnóstico e tratamento mais eficientes contra a endometriose. Atualmente, os únicos tratamentos são cirurgias e remédios hormonais com efeitos colaterais desagradáveis. “Temos grande confiança de que os resultados desse estudo contribuirão para desenvolver métodos menos invasivos", destaca Stephen Kennedy, pesquisador da Universidade de Oxford.

No Brasil, mais de 6 milhões de mulheres são portadoras da doença, que ocorre quando o revestimento interno do útero (endométrio), cuja função é fixar e alimentar o feto no início de seu desenvolvimento, aparece fora dele, em outros órgãos. Isso pode causar dor pélvica, inflamações e problemas de fertilidade. O estudo, publicado na revista Nature Genetics, envolveu especialistas das universidades de Harvard, Oxford e o Instituto de Pesquisa Médica Queensland, na Austrália.

sábado, 12 de março de 2011

LEILA LOPES: QUANDO A DOR DA ENDOMETRIOSE NOS LEVA AO EXTREMO!!

Antes de começar, deixo claro que a intenção é sempre mostrar a realidade e o que a doença pode causar em uma mulher. A maioria de nós somos incompreendidas quando estamos com dores, e, para muitas que sofrem com as dores severa da doença, esta é uma realidade diária. Antes de colocar este vídeo, pensei, repensei, e achei que seria útil, pelo menos, para explicar a 'nossa cara de dor'. Talvez a partir deste vídeo, muitas pessoas que não compreende as dores de uma portadora passam a compreendê-la. Ao mesmo tempo, eu também faço questão deste post, para mostrar o quanto a doença nos derruba. Olha como ficamos! O pior é que quando perguntam: “que cara é essa”, e nós falamos: “é a dor”, ou “estou com muita dor”, as pessoas acham que é frescura. Quando assisti a este vídeo, voltei ao tempo, exatamente no dia em que foi exibida esta matéria, no programa "TV Fama", da Rede TV!. Era meados de outubro de 2009, eu era repórter de um site de celebridades. No dia seguinte, um repórter de lá teve a missão de falar com ela. Leila diz sentir uma dor que não tem explicação, estava à base de morfina, mesmo assim as dores não melhoravam muito. Ela dizia ser uma pessoa de sorte, porque os médicos falaram que não era um câncer, mas o fato é que ela ainda não sabia o que tinha.

Ela já estava internada há mais de 15 dias, em um conceituado hospital de São Paulo. Thiago, o repórter que virou um querido, amigo, ficou um tempão com ela ao telefone. Quando desligou, perguntei: “O que ela tem Thiago?”. “Ainda não sabe, está fazendo vários exames”, respondeu. Curiosa e com a pulga atrás da orelha, indaguei: “O que ela sente”. “Uma dor forte no pé da barriga, está com muita diarreia, com muita dor mesmo....”. Depois de sua explicação, disse: “pelos sintomas, parece ser endometriose. Liga lá e fala pra ela.”. Mas ele não ligou naquele dia, mas sim, alguns dias depois. O diagnóstico? Bingo! Endometriose! Aí, ele vira e fala: "Nossa, Carol, não é que é endometriose mesmo." Antes do diagnóstico, ela havia agradecido por não ter câncer, mas acho que ela não sabia que portava uma doença benigna, mas que pode ter um comportamento maligno. O vídeo emociona, faz chorar, as lágrimas correm. É muito sofrimento, a feição de dor, a voz de dor, olha a cara dela passando mal.

É assim que a maioria de nós ficamos, pálidas, sem rumo, sem prumo, loucas para saber de onde vem essas dores que nos tiram do sério e nos deixam loucas. E ficamos mais loucas ainda, para que essas dores absurdas, que chegam sem pedir licença, passem. Por muitas e muitas vezes, eu fiquei assim, mas nem todo mundo acreditava que a dor que eu sentia, era para tanto. Eu ainda sinto dores, hoje é um desses dias, com dor muito forte. Já tomei três comprimidos de Buscopan Composto e nada. A dor latejante continua lá, e a minha perna esquerda dói muito. A endometriose da atriz estava localizada no útero, que estava aderido ao intestino. Retirou o útero. No vídeo, Leila falou algumas vezes que tinha muita FÉ, e que confiava em Deus. Menos de dois meses depois, início de dezembro, ela foi encontrada morta em seu quarto. O que tudo indica, até mesmo pela carta que deixou, ela se suicidou. Eu continuava no site e foi missão do Thiago correr atrás da notícia. Cada repórter tem seus personagens e a Leila era dele. Várias coisas rondaram meus pensamentos.

É triste esse fim, mas infelizmente, nós, portadoras de endo, temos que ter muita FÉ mesmo, para descobrir e tratar a doença. A doença mexe com todo o nosso corpo, inclusive, com a cabeça. É muito difícil mesmo você sentir dor 24 horas por dia e ser considerada por muitos como "a preguiçosa", ou "aquela que só pensa em dor", "aquela fresca que não quer fazer nada". Quem não consegue superar estes obstáculos, pode ter o mesmo fim trágico de Leila. Por isso, o apoio da família, do parceiro e dos amigos faz toda a diferença para a mulher com endometriose. Se você encontrar com uma endomulher e vê-la com o semblante assim, dê atenção, dê amor, pergunte se precisa de algum remédio, de alguma ajuda porque a dor é muito forte, viu. Não estamos inventando e também não é frescura. Pense nisso! Beijos com carinho!!

Link do Vídeo:




sexta-feira, 11 de março de 2011

RETORNO AO DR. HÉLIO SATO, NO NIPO-BRASILEIRO!!

Após dois meses tomando diariamente o hormônio testosterona, voltei ao Dr. Hélio Sato, no Hospital Nipo-Brasileiro, nesta quinta-feira, dia 10. Levei os exames de sague e, graças a Deus, a minha testosterona voltou ao nornal. Aproveitei para fazer o papanicolau, pois, a partir de agora, ele será o meu ginecologista oficial. Pensei muito sobre esta decisão e, acho que vai ser bem melhor. Em dezembro, quando fui lá, conversamos sobre isso, e ele concordou que seria bom. Na verdade, em um futuro próximo, eu já teria que arrumar outro ginecologista. E, confesso que isso sempre me preocupou. O meu agora ex-ginecologista, o Dr. Carlos Sigolo, é uma pessoa maravilhosa. Sempre me passou confiança, tenho por ele uma admiração até como se ele fosse o meu pai. Ele é bem mais velho, deve ser mais de 70 anos, por isso, deve se aposentar em breve. Por isso, eu teria que começar a procurar outro gineco. Ele cuidou de mim por 17 anos e, foi ele, quem iniciou o meu tratamento contra a endometriose, até eu conhecer a UNIFESP. Então, o Dr. Carlos era tudo em minha vida. Era de extrema confiança, eu tinha até o celular dele para alguma emergência. Inclusive, já era para ele ter se aposentado, mas ele ama o que faz!! É outro anjo que tive, de cabelos grisalhos, brilhantes olhos azuis e uma voz rouca, bem tranquila. Para despedir-me dele, marquei uma consulta na próxima semana, dia 17. Vou aproveitar para levar o laudo da minha cirurgia. Quero agradecer por todo o carinho e dedicação que teve por mim durante todos esses anos. Foi o meu primeiro e, até então, o meu único ginecologista. Toda mulher sabe o quanto este profissional é importante em nosas vidas. E, ele, é um ser humano único também, que nos escuta, nos deixa super à vontade. Deverá ser um dia de muitas emoções, já que eu sou uma manteiga derretida. Mas, a verdade, é que o Dr. Carlos cuidou muito bem de mim. O guardarei para sempre em meu coração. Aí, como a partir de agora, serei paciente do Dr. Hélio, ele pediu vários exames, sangue, urina, os CA´s (que são muitos 125, 19-9, 15-3). Como falei que as minhas dores voltaram, ele pediu um ultrassom endovaginal. Aproveito para agradecer por todas as palavras de carinho que tenho recebido. Como são muitos comentários, eu não estou conseguindo responder a todos com a mesma rapidez, que os recebo. Caso queiram falar comigo mais rápido, é só enviar e-mail para carolinesalazar7@gmail.com Beijos com carinho!!

quarta-feira, 9 de março de 2011

COMO SÃO AS FEZES DE QUEM TEM ENDOMETRIOSE??

Já faz um tempão que quero escrever sobre este assunto, mas sempre tenho algo na frente. Também é um assunto bem delicado, que faz parte de nossa intimidade. Preciso relatar o quanto às portadoras de endometriose sofrem quando vão evacuar. Infelizmente, a endometriose é uma doença muito mais complexa do que se pode imaginar. Só quem tem sabe o quanto é ela é cruel, maldita, maligna não só na invasão dos focos, mas por privar mulheres de terem as rédeas de sua vida. A doença traz muitas consequências desagradáveis a nós portadoras, não são só as dores na pelve, no abdômen, durante as relações sexuais, a infertilidade. Esses são algumas das principais sintomas, mas a endo mexe com todo nosso corpo. Quando leio alguma matéria sobre a doença, acho curioso quando leio a expressão: “... as mulheres têm dificuldades e dores ao evacuar, ao urinar, que podem ser ou não com sangue...”. Toda vez que eu leio essa frase, eu acho até engraçado. Penso eu: “Como os repórteres escrevem isso, mas até hoje, não vi nenhum perguntar: 'Como são essas dificuldades, o que vocês sentem de verdade? ’”. O que me chama atenção na profissão de repórter é o que me faz ainda mais querer ser repórter: é a curiosidade sobre determinado assunto. Eu sou muito curiosa e sempre quero fazer a pergunta que ninguém pensa em fazer. Como jornalista, repórter e portadora de endometriose, eu falo e desvendo o que, até então, ninguém perguntou: Como são as fezes, quais são as tais dificuldades que todo mundo fala, mas ninguém ousou em perguntar?

No meu primeiro dia de fisioterapia na Unifesp, logo após a avaliação, deram-me um questionário para preencher e, para minha surpresa, adivinha qual era o tema? Fezes. No começo achei esquisito, mas logo depois, a Ana Paula veio explicar do que tratava. Participei de uma pesquisa que a Unifesp estava fazendo sobre como são as fezes de uma portadora de endometriose. Eu já percebia há algum tempo que minhas fezes estavam esquisitas. A começar evacuava a maior parte do tempo como diarreia. Com o passar do tempo, percebi também que o odor, nossa esta terrível! Eu sei que nenhum cocô é cheiroso, mas as nossas fezes são muito mais fétidas, do que às de uma pessoa sem a doença. Até aí, tudo bem, todo cocô fede mesmo! Qual o problema? Aquilo que eu mencionei o que toda matéria tem, mas de forma incompleta. Que dificuldades são essas? E eu digo: e coloca dificuldade nisso, viu. Ficamos horas e horas no banheiro para não fazer quase nada. A dificuldade que todo mundo fala, na real, é que não conseguimos fazer mesmo. Aí, sai só um pouquinho. O pior é que não acreditamos nisso. É uma grande decepção. Mas o pior vem depois de tanto esforço, parece que fica tudo entalado dentro da gente e a sensação é horrível, muito horrível! Só sentindo mesmo. Parece que está tudo ali querendo sair, mas não sai. Elas podem ser acompanhadas de sangue, e também pode arder. E uma dor aguda na barriga. Agora, uma grande saia-justa é quando estamos em algum lugar, que não dá para fazer, que não tem banheiro, e dá aquela vontade, que não dá para segurar. Você precisa dar um jeito de ir a qualquer lugar. Nesse caso, a diarreia vem acompanhada de uma dor barriga.

Outro fator que chama a atenção é quanto ao formato das fezes. Isso é algo que nunca falam. Também eu tive de preencher na pesquisa de qual forma sai meu cocô. Na maioria das vezes, elas são disformes, não tem aquela forma certa de um cocô normal. Mas ela pode sair como bolinhas, ou então, bem fininha tipo uma tripinha. Mas sempre muito fétida. Outra coisa que me chama atenção é que muitas vezes, ao evacuar, também sinto muito enjoo. Não é nem ânsia, mas um enjoo esquisito. Raros sãos os momentos que uma portadora de endometriose sai satisfeita do vaso sanitário. Teoricamente, quando falam que isso é um dos sintomas, deveria ser sentido apenas no período menstrual, ou antes. Mas muitas de nós temos isso constantemente. Sem contar que é algo chato, sabe, dá vergonha de fazer cocô em qualquer lugar. Comecei a adotar um hábito de ter sempre uma caixa de fósforos na bolsa para disfarçar o cheiro. Além de todo este incômodo de evacuar, ainda tem a perda de fezes, já que alguns dos gazes que soltamos escapole e sai como fezes. Tem coisa pior do que acontecer isso no meio da rua? Minha dica é sair com uma calcinha extra. Se em todos os nossos gazes tiver de ser feitos dentro de um vaso sanitário por conta das perdas... é melhor andar com um pinico pendurado no pescoço! Era só o que faltava, ainda muitos acham que não temos nada. Santa ignorância!

Agora, acho bem enigmático passar por tudo isso mesmo não tendo endometriose intestinal. É isso que me preocupa. Parece que a doença impregna em nosso corpo. Gruda e não quer soltar mais. Não é uma loucura? E é sempre bom consultar um coloproctologista para ver se está com ok. Quem não passa por isso, pode até achar engraçado, mas é muito sério e a doença também é séria e, por isso, tem de ser levada a sério pelos nossos governantes. Por isso que o A Endometriose e Eu luta pelo reconhecimento da doença como social e de saúde pública no Brasil. Além de ser uma situação muito desconfortável ainda passamos por cada saia-justa! As consequências que a doença traz a nós, portadoras, são imensuráveis. Só passando por isso para entender mesmo. Por isso digo somos as mulheres mais guerreiras deste universo. Portanto, informar é preciso! Beijos com carinho!!!

terça-feira, 8 de março de 2011

LINK DO A ENDOMETRIOSE E EU EM INSENSATO CORAÇÃO!!

A Ludmila Gusman, editora do Muriaé na Web, site que sou colunista e falo sobre a endometriose achou o link da cena de Insensato Coração, desta segunda-feira, dia 07. Foi durante uma conversa entre os atores Lázaro Ramos e Paloma Bernardi, que Alice (Paloma) falou a André (Lázaro). “Se você quiser conhecer mais sobre a doença, tem um blog ótimo, o A Endometriose e Eu.”. Gente, até agora eu não acredito! Foi uma grande surpresa e emoção. O blog é feito com muito amor e carinho. Tudo que escrevo aqui é real. Aproveito para agradecer aos mais de 100 seguidores que entraram lá, e os mais de 13 mil acessos. Está chegando muitos e-mails e muitos comentários no blog. Vou responder a todos. Só peço calma, pois, por conta das dores, eu não consigo ficar direto no computador. E, como todas as respostas são personalizadas, demora um pouco mais.

http://insensatocoracao.globo.com/capitulo/leo-mente-para-raul-mais-uma-vez.html#cenas/1453907

Obrigada a todos pelo carinho e pelas palavras de solidariedade! Juntas, vamos vencer esta batalha, e mostrar o quanto esta doença é terrível. Como dizem os especialistas, é uma doença benigna, porém, com comportamento maligno. Vamos mostrar ao mundo como nós, portadoras de endo, somos guerreiras. Agradeço aos autores Ricardo Linhares e Gilberto Braga e, também, ao blog de Portugal, Mulher Endo, que fez um post especial citando o A Endometriose e Eu.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O A ENDOMETRIOSE E EU FOI CITADO EM INSENSATO CORAÇÃO!

Olha de novo eu tive que trocar o post. Eu preparei um falando sobre as fezes das portadoras de endometriose, que são bem diferentes, das de uma mulher sem a doença. Só nós sabemos disso! Eu quase não assisto a novelas. Em casa, eu apenas escuto, enquanto minha mãe e minhas irmãs assistem, porque eu estou sempre no computador, no blog ou respondendo os e-mails que recebo das minhas leitoras. Hoje, estou na casa da mãe do meu namorado, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Tomei um banho, confesso que eu estava meio esquisita, meio triste, mas conversei bastante com Deus no banho. Pedi algum sinal para Ele, para saber se estou no caminho certo, já que o sofrimento só aumenta. Aí, peguei o controle e liguei a tevê. Estava terminando o Jornal Nacional e continuei assistindo. Gente, não acreditei quando o A Endometriose e Eu foi citado em Insensato Coração, na conversa entre os atores Paloma Bernardi e Lázaro Ramos. Fiquei muito feliz, porque isso é sinal de que os autores do folhetim Ricardo Linhares e o Gilberto Braga também gostaram do meu trabalho, que faço de coração.

Fiquei muito feliz e orgulhosa! Até chorei de emoção, porque quem me conhece, sabe que a minha vida não está fácil. E pensei: "Nossa o sinal que pedi para Deus." Continuo sem trabalho, já que minhas dores sáo diárias, e estou completamente desesperada para refazer a minha vida. E, quem me conhece sabe que um dos meus sonhos sempre foi trabalhar lá. Logo após a cena, o celular começou a tocar. Como falei, enviei e-mail contando minha história com a doença e o meu tratamento ao Ricardo Linhares. Ele respondeu no mesmo dia dizendo que ficou impressionado com o que leu. Agora, tenho certeza que gostou do blog. Agradeço de coração aos autores Ricardo e Gilberto, obrigada por abrir portas a uma doença que, até então, nunca ninguém ouviu falar e que é desconhecida de muitos ginecologistas. Não posso julgá-los, há revolta porque a novela não retratou as nossas dores, nossos medos, sentimentos, a incompreensão das pessoas, principalmente, da nossa família, dos amigos, a depressão que está embutida no pacote da doença, a dor durante a relação sexual, a perda do trabalho, a perda do parceiro, enfim, todo o nosso sofrimento, que não é pouco. A doença simplesmente destrói a nossa vida. Na minha, foi como se tivesse passado um tsunami, ou um furacão por ela, e eu ainda choro pela destruição.

Mas foram os primeiros autores de ficção que abordaram o tema, que atinge mais de 10 milhões de mulheres no Brasil, e 176 milhões no mundo. Esta é a porta de entrada para outros tantos autores retratarem a doença e a realidade a qual nós portadoras vivemos. Tem muita gente enviando e-mail pedindo ajuda. Estou respondendo todos. Se eu ainda não respondi o seu, tenha calma, que vou responder. Porque a intenção do blog é esta, ajudar mulheres a buscarem ótimos especialistas, para que possam se tratar. Para quem não tem convênio médico, não se preocupe, eu indico o ambulatório da Unifesp. O lugar é fantástico, com atendimento humano, que faz toda a diferença para quem tem endo. É lá que eu faço a fisioterapia para melhorar a dispareunia. Agora, para quem tem convênio, eu indico o doutor Hélio Sato, que atende convênios no Hospital Nipo-Brasileiro. Um ser humano incrível, muito humano e do bem.

Ah, aos poucos as coisas vão se encaixando. Voltei a frilar para um site de celebridades do Rio. Eu faço reportagens em São Paulo, sou a correspondente deles aqui, mas ainda é bem esporadicamente. Se um dia encontrar o Ricardo ou o Gilberto, vou agradecê-los pessoalmente. Vamos nos unir para informar sobre esta terrível doença, que, apesar de ser bengina tem comportamento de uma doença maligna. Até as 21 hora de hoje, antes de ser citado na novela, o blog tinha 68 seguidores conquistados com muita luta, e 7.500 acessos. Agora, pouco antes da meia noite, já tem 139 seguidores e 11.500 acessos. Obrigada a todos de coração. Vou ajudar todas que precisarem! Beijos com carinho!!

domingo, 6 de março de 2011

JÁ ESTÁ NO AR O MEU PRIMEIRO ARTIGO NO MURIAÉ NA WEB!!

Nossa, eu não imaginava que iria estreiar a minha coluna antes do Carnaval. Não tenho como agradecer à Ludmila Gusman, editora do site, por esse convite. A intenção da coluna é a mesma do blog: salvar vidas! Fazer com que as muitas mulheres doentes, mais de seis milhões no Brasil e 85 milhões no mundo, não tenham a sua vida destruída. Para que os familiares das portadoras passem a conhecer a nossa dura realidade. Não é fácil, viu! Todas nós passamos por situações desesperadoras, onde por muitas vezes, pensamos em desistir. Não podemos! Eu sei que muitas feridas demoram a ser cicatrizadas, outras, nunca serão. Foi na UNIFESP que passei a conhecer mais sobre a doença. Lá, escutei histórias horríveis, onde mulheres eram espancadas por seus maridos, maridos que levam amantes pra casa, enfim, histórias escabrosas. Saía de lá revoltada e dizendo: preciso fazer alguma coisa? Por isso, falo muito sobre a dispareunia. Temos que ter FÉ, e pensar, que muitas portadoras virão por aí. É a doença da mulher moderna. Eu acho que vai demorar muito, para que as pessoas tenham noção, o quanto à endometriose é cruel, o quanto sofremos, muitas vezes em silêncio. Muitas vezes, não podemos chorar nossas dores, com isso, choramos pra dentro e, infelizmente, novos focos e novas aderências irão surgir. Hoje, eu estou assim, chorando pra dentro. Já chorei pra fora, no ombro do meu namorado. Só de pensar que ela devastou a minha vida profissional. Parece que passou um tsunami em minha vida. É essa a sensação que tenho! Sem trabalho não temos dinheiro. E, como vivemos, pergunto eu? É não poder sentir fome, sentir sede quando estamos na rua. É andar a pé para economizar o dinheiro da condução. É deixar a vaidade de lado, deixar de ser a mulher que você sempre foi, e ver os fios brancos no cabelo, já todo desbotado, as unhas quebradas e maltratadas, os pelos no corpo, as contas todas atrasadas e não ter coragem de ver o saldo de sua conta no banco. O problema é que eu não acho justo, só isso! Alguém tem que fazer alguma coisa!! As portadoras não têm nenhuma ajuda do governo, aliás, para o governo a doença nem existe. É impressionante o desdém de uma doença que foi descrita no final do século XIX! Conforme já falado no A Endometriose e Eu, desde 2004, a endo já é considerada uma doença social na Europa. Sabe por quê? Porque o governo gastava mais dinheiro com as portadoras de endometriose, do que com quem tem câncer de mama, que, infelizmente, é um dos mais propensos a metástase. Será que o assunto é sério? Ou não? É a segunda causa de cirurgias em todo o mundo, só perdendo para a cesárea. Só que, no caso da endo, não tem como tentar o parto normal! Para piorar tudo, a doença também é invisível, progressiva e sem cura! É uma doença benigna de comportamento maligno. Se não descoberta em estágios iniciais, ela vai infiltrando entre os órgãos, quer dizer, vai comendo-os em silêncio. Ludmila, você é iluminada por ter feito o convite! Obrigada por abrir esta porta em Muriaé, interior de Minas Gerais. Mulheres vamos lutar para que futuras gerações, não passem o que nós passamos. Quando surgir oportunidades, quero começar a dar palestras sobre o tema, para mostrar a nossa realidade. Portanto, a partir de agora, fiquem conectados no www.muriaenaweb.com.br. Deixo aqui o link da minha apresentação e, do meu primeiro artigo: http://www.muriaenaweb.com.br/destaque/?texto=1650 e http://www.muriaenaweb.com.br/dicas/?texto=1649 . Espero que gostem!! Beijos com carinho!!

sexta-feira, 4 de março de 2011

PASSO A SER COLUNISTA MENSAL DO SITE MINEIRO MURIAÉ NA WEB

A partir de agora, passo a assinar uma coluna mensal no site mineiro Muriaé na Web. Agradeço imensamente à editora do site, Ludmila Gusman, pelo convite. Por conta de Insensato Coração, ela começou a pesquisar o assunto na internet, e chegou até o A Endometriose e Eu. Agradeço também a todos que acessam e fazem parte do blog. Informar é muito importante. Eu sei e, inclusive, enviei e-mail ao Ricardo Linhares, um dos autores da novela global das nove, falando que a doença é muito mais grave do que se mostra. Ele respondeu dizendo que ficou impressionado com tudo o que descobriu, mas que as cenas já estavam todas gravadas. Portanto, sem chance de mudá-las. O folhetim não mostrou a realidade de muitas mulheres. A maioria das portadoras tem a sua vida destruída, devastada pela doença. As dores são muito fortes, como disse o Dr. Namir Cavalli, no programa Medicina & Saúde, da minha querida Soraia David, são incapacitantes. Perdemos tudo: trabalho, namorado/ marido, vida social, vida sexual, enfim, tudo o que temos e toda a nossa qualidade de vida! Porém, ainda existe um pequeno percentual, daquelas que não sente nenhuma dor. Essas só descobrem a doença quando querem engravidar, e como não conseguem, descobrem que são inférteis. Aprendi na minha primeira aula de Ética, com o extraordinário jornalista João Wady Cury, que, a partir daquele momento, como jornalistas e ser humano nunca poderiam julgar ninguém. Por isso, mesmo sabendo que novela é uma ficção, só agradeço por terem mencionado a doença. Foi por ela que recebi o convite de ser colunista e, a partir de agora, informar mais pessoas. Não julgo nem os ginecologistas que não conhecem a doença. Mas isso é ainda mais grave. Eu passei por um, mas a Hosana Santana passou por várias. Conheci a querida Maria Helena Nogueira, portadora de endometriose há 25 anos. Lia como é conhecida, é autora do livro O Sequestro de uma Vida – Endometriose, Dor crônica, Perseverança e Fé. Gente é impressionante como ela sofreu. Por conta da endometriose severa, de grau IV e dos fortes remédios que toma há tempos, a morfina é um deles, ela não tem pulsação no quadril. Por isso, quase não anda. Usa cadeira de rodas e toma morfina a cada quatro horas. Vale muito à pena ler! É uma lição de vida e Fé. Falei a ela, que não aguentaria metade do que ela passou. Ainda bem que ela sempre teve anjos em sua vida e, seus filhos, são alguns deles. Insensato Coração abre a primeira porta, mencionando uma doença, raramente falada e que os especialistas sabem muito pouco. Ainda é considerada como enigmática! Até para a medicina é um enigma. Vamos torcer para que outros autores passem a retratar o tema, mostrando outras consequências da doença. E, que a medicina em breve, descubra a cura! Portanto é o que eu falo: vamos fazer a diferença!! Se você conhecer alguma mulher com cólicas muito fortes, passe a informação. A partir de agora, não esquecam de acessar: www.muriaenaweb.com.br Beijos com carinho!!!

quarta-feira, 2 de março de 2011

A HISTÓRIA DA LEITORA HOSANA SANTANA E SUA ENDOMETRIOSE SEVERA!!

Hoje, o A Endometriose e Eu conta a história da leitora Hosana Santana. Hosana tem 26 anos e mora em São Paulo. Ela é mais uma guerreira que sofre com a maldita da endometriose. Graças a Deus, ela tem o apoio de seu noivo e familiares. A história dela mostra como no Brasil existe tantos médicos porcarias (para não falar outra coisa). Também, pudera, em cada esquina tem faculdade de medicina. Infelizmente, é só ter dinheiro que qualquer um pode ser médico. De tanto ir a péssimos profissionais, ela desconfiou claro, sem tirar sua razão, quando encontrou um grande especialista na doença. Ainda bem que o seu noivo insistiu, porque ela não queria procurar nenhum outro especialista. Já estava cansada de ir a tantos médicos e, todos, darem diagnósticos errados. Ao pesquisar o nome do Dr. Hélio Sato na net, ela chegou até a esse blog. Olha, eu até me emocionei, quando ela disse que sem saber, eu a ajudei a ir mais tranquila em sua primeira consulta com o Dr. Hélio e, que, a minha história, fez com que ela recomeçasse a sua. A função do blog é justamente essa, ajudar mulheres a encontraraem especialistas de verdade e também a se reerguer. Porque eu também fui vítima de um ginecologista ignorante, que não acredita na doença. A história é grande, mas vale à pena ler linha por linha, para saber o quanto, nós, portadoras, sofremos até ter, de fato, o diagnóstico da doença. Ainda bem que ela não perdeu nenhum órgão. Beijos com carinho!

“Desde a minha primeira menstruação, aos 12 anos, sinto cólicas e, a cada ciclo, essas dores ficavam mais intensas. A minha visita a ginecologista (sempre mulheres, não gostava de passar com homens) é desde o primeiro ciclo, com intervalo de no máximo um ano e, a queixa, sempre foi a mesma: dores de cólicas. Porém, sempre percebi descaso com meus sintomas, cheguei a escutar frases do tipo:“é normal", ou “na adolescência é assim mesmo, quando você entrar na fase adulta melhora”, ou “quando tiver um filho passa”, entre outras. Para amenizar essas dores sempre tomava anti-inflamatório receitado por elas, mas não resolvia muito. Troquei de médica várias vezes, de remédios também, mas nada de solução ou melhora, a cada ciclo só piorava. Mal sabia que o pior ainda estava por vir. Na noite de 20 de abril de 2008, estava andando pelo shopping, quando do nada, me surgiu uma dor que eu não sabia onde começava ou terminava. Doía à perna esquerda, o abdômen e a coluna lombar, sai praticamente carregada para o hospital. Foi horrível e, o médico que me atendeu, já disse que era litíase (cálculo ou pedra no rim, ureter e bexiga), com 100% de certeza por causa dos sintomas. Ele falou que não tinha médico radiologista no local e que iria me colocar no soro. Assim ele fez, fiquei no soro a madrugada inteira, quando me liberou, disse “fique de repouso hoje, procure um especialista o quanto antes para tratar e caso volte a doer antes de passar com o especialista, nos procure”. No dia seguinte, fiquei de repouso, com uma dorzinha chata, mas até então, suportável. No outro dia fui trabalhar e não aguentei.

A dor, de novo, me fez voltar ao hospital. O médico já me colocou no soro direto, mas dessa vez, me pediu uma tomografia computadorizada. O laudo veio da seguinte forma “tumor inespecífico no polo superior renal”, como se tinha um exame de imagem né? Cheguei a acreditar que fosse, mas não olhei essas imagens. Esse médico disse a mesma coisa que o primeiro médico que me atendeu, pediu que eu procurasse um especialista. Assim fiz, marquei com o urologista, que fez questão de um ultrassom. Segundo ele, para o rim, o bom mesmo era ultrassom. Mesmo discordando porque eu já tinha uma tomografia, fiz o ultrassom e, o laudo, foi o seguinte “angiomiolipoma renal” (tumor benigno). Quando olhei as imagens da tomografia desacreditei que alguém tivesse laudado que fosse um tumor, aquilo no meu ver era um cisto. Troquei de urologista. Fui com a tomografia e o ultrassom, mas ele não entendia de imagem. Então, disse que, se os médicos tinham laudado como tumor, porque era mesmo, não tinha outro jeito, que eu tinha que aceitar a nova realidade, que eu tinha um tumor. Só que eu não aceitei, ele ficou discutindo comigo até que o convenci de pedir pelo menos outro ultrassom. O laudo do novo ultrassom foi de “litíase”. Como tinha dois ultrassons com laudos diferentes, o médico analisou pelos sintomas e quis tratar litíase. Receitou medicação para a tal da litíase que eu não tinha. Por isso, não tomei medicação nenhuma. Eu sabia que não tinha tumor e, muito menos, litíase. As dores persistiam em aparecer sempre, com mais intensidade durante os ciclos menstruais.

A ginecologista atual estava ciente, pediu ultrassom, mas não apareceu nada. Como sempre atribuiu as dores durante o ciclo, a cólicas, e disse que era para procurar um ortopedista para ver a coluna e a perna. Procurei e eu não tinha nada na parte ortopédica. Mas, as dores, continuavam lá e cada vez mais frequentes e intensas. Troquei de ginecologistas por inúmeras vezes, perdi as contas, mas nenhuma acreditava nos meus sintomas. Cheguei a questionar se não poderia ser endometriose com todas essas médicas que passei, mas algumas das respostas eram debochadas, do tipo “ocupe a mente que a dor passa” (essa me tratou como se eu fosse doida), “essas dores são gases. Quem não tem gases?”, “Quem nunca sofreu com eles? Então fofíssima, tome remédio e espere passar”, “Essas dores são cólicas, aprenda a viver com elas”, “toda mulher sente dor de cólica e nunca morreu”. Para uma médica, eu implorei por um exame de ressonância magnética, mas ela disse que, a médica era ela, e que não iria pedir exame nenhum, que eu poderia pedir para outra ginecologista porque o carimbo dela valia muito, para depois justificar com o convênio, o porquê pediu um exame tão caro apenas por causa de uma simples cólica. Nesse período, eu já tinha abandonado o trabalho para me dedicar, exclusivamnte, a procurar uma solução para a minha tortura diária. Por conta das dores, eram cada vez mais intensas, as minhas atividades ficaram comprometidas e, para piorar, a barriga inchava muito, tinha dor de cabeça todos os dias e, durante o ciclo menstrual, a perna esquerda não mexia por nada.

A frase que eu mais pronunciava era: “por favor, me deixa que estou com dor.”. Isso na maior das irritações. Até que um dia achei uma ginecologista que escutou minhas queixas com paciência e achou que eu, realmente, pudesse ter endometriose. Pediu exame de ultrassom transvaginal e o CA125 (nota da editora: exame de sangue que pode detectar a endometriose, assim como alguns tumores de mama, ovários, útero, entre outros), mas nenhuma alteração foi observada nesses exames. Por isso, ela começou a tratar as dores com anticoncepcional, mas elas não melhoraram. Cheguei a repetir esses últimos exames, mas o resultado foi o mesmo para ambos. Então, ela disse que não era nada da parte ginecológica, era para eu procurar um gastroenterologista, pois deveria ser alguma coisa no intestino. Passar por vários ginecologistas e não receber os devidos cuidados e respeito foi o pior absurdo que já vivi. Não são todos os médicos, mas muitos não sabem o que é endometriose, quais são os sintomas e o que ela causa na vida de uma paciente. Porque se soubessem, não trataria as paciente com tanto descaso. Achar ginecologista especialista em endometriose é muito difícil, muitos dizem que são, mas na realidade é apenas para enganá-la e fazer a peciente sofrer ainda mais (mais pra frente vocês entenderam o porquê).

Quem acreditou nos meus sintomas e logo foi dizendo “esses sintomas é de endometriose e eu não vou descartar que seja uma endometriose” foi o gastroenterologista. Ele pediu uma ressonância magnética do abdômen superior e da pelve. O laudo foi: “cisto renal e cistos ovarianos sugestivos de endometrioma com tecido envolvendo o ligamento útero-sacros e superfície serosa do ovário esquerdo associado a tecido endometriótico”. Aqui, foi confirmado o que eu já sabia em relação ao rim. Passei em dois urologistas para analisar a opinião deles e a resposta de ambos foi praticamente igual: que eu não deveria me preocupar com esse cisto, pois provavelmente eu tenho desde quando nasci e que o mesmo não vai interferir em nada no funcionamento do meu rim. Então, quase um ano depois, após receber diagnósticos errados e muito desrespeito, em 09 de abril de 2009, foi diagnosticado o real problema da minha dor. Quando olhei o resultado fui correndo mostrar à ginecologista, mas ela não fazia videolaparoscopia. Como foi o gastroenterologista que havia pedido o exame, resolvi mostrar para ele. Cometei que estava sem ginecologista para realizar o procedimento, e ele disse que realizava a cirurgia com uma ginecologista da equipe dele de outro hospital. Resolvi fazer com eles. A cirurgia foi realizada em 02 de julho, começou por videolaparoscopia e terminou por laparotomia (nota da editora: abertura do abdômen, cirurgia igual à de uma cesárea).

Segundo o médico, eu tinha muita aderência entre os órgãos. Graças a Deus não comprometeu o meu intestino. A recuperação foi complicada e demorada, não parava de sangrar (era hemorragia, porque fiquei assim por três meses). A ginecologista que realizou o procedimento não poderia me acompanhar, porque além de ser de outro hospital, ela não atendia ao meu convênio. Então, ele pediu para minha ginecologista passar a medicação, o Zoladex, e acompanhar o caso junto com ele. Só que a minha médica não aceitou o Zoladex como opção, resolveu passar um anticoncepcional, mas o sangramento não parava. O gastro pedia para ela receitar o Zoladex e ela insistia no anticoncepcional. Enquanto isso, eu sangrava e tinha muitas dores. Ela pediu um ultrassom e, dessa vez, foi observado que eu estava com endometriose no ovário esquerdo. Meu estresse aqui foi tão alto, que precisei fazer acompanhamento com o cardiologista, porque minha pressão ficou doida. Uma hora eu estava com hipertensão (pressão alta) e, em outras, com hipotensão (pressão baixa). Mas graças a Deus fiz todos os exames e não deu nada, foi apenas um quadro de estresse mesmo. De novo eu atrás de um ginecologista, só que dessa vez teria de ser um especialista em endometriose. A partir daqui, começa minha história com ginecologistas masculinos, pois, até então, só passava com mulheres. A essa altura a minha situação era tão crítica, que eu não queria saber se era homem ou mulher. Eu só queria me livrar das dores. Encontrei um, que disse que era, mas na realidade não era (lembram quando disse lá em cima que muitos só engam e nos fazem sofrer?). Pois bem, esse me disse que era especialista em endometriose, mas quando cheguei lá percebi que não era.

Mesmo assim ele aplicou o Zoladex 10,8 mg (tomei 2 doses, que foram injetadas em um período de três meses de uma para outra). O sangramento parou no mesmo dia. Após três meses sangrando, foi um alívio. Esse médico dizia que eu não poderia ter filhos, pois quem tem endometriose não engravida e, que se eu quisesse filhos, só por meio da FIV (Fertilização in Vitro). Detalhe, e que eu precisava fazer isso logo após passar o efeito do Zoladex. Eu já estava desesperada por causa das dores. Eu achava que não as sentiria nunca, mas na realidade elas estavam piores do que estavam antes da cirurgia. Eu já sabia que tinha foco de endometriose no ovário esquerdo. Como eu poderia fazer uma FIV com tantas dores e com tantos medos. A partir daí, passei a ser inimiga da minha própria pessoa. Os efeitos colaterais do Zoladex não são nada agradáveis, quem tomou sabe bem. Engordei 18 quilos com as duas doses. Eu não sabia que o remédio me daria tanta fome. Na primeira dose, eu comi muito, mas se alguém falasse que eu estava comendo muito, porque falavam para meu bem, eu já soltava uma resposta malcriada. Na segunda dose, eu consegui controlar, mais senti fortes dores de estômago, e passei muito mal. Eu chorava muito e por qualquer coisa, sentia vontade de desistir de tudo, tinha medo de todas as coisas e não confiava mais em nenhum médico. Quando questionava sobre as dores ao médico, ele falava que eu precisava fazer a FIV, que não tinha outro jeito.

Mas eu precisava me livrar daquelas dores horrorosas, eu tenho vontade de ser mãe, mas naquele momento eu não tinha a menor condição psicológica de pensar em filhos. Primeiro, eu precisava me libertar daquela dor, porque ela estava me maltratando. O médico disse que não realizava videolaparoscopia e que a opinião dele seria a FIV. Só que é difícil os médicos entenderem que você tem uma dor insuportável, muitos acham que é exagero. Graças a Deus eu tenho um noivo maravilhoso, ele é muito compreensivo, cuidadoso, sempre que pode me acompanha nas consultas. Nessas consultas de assuntos sobre a FIV, ele estava sempre presente. A opinião dele em relação à endometriose é igual a minha e, até hoje, é assim. O que eu decido ele me apoia. Mas em relação a não querer saber mais de ficar correndo atrás de ginecologistas, ele não concordou e foi ai que ele me chamou atenção para um fato importante: procurar a opinião de outro médico sobre a endometriose e a FIV. O importante para o meu noivo era me ver bem. Se a segunda opinião fosse igual, porque não fazer a FIV? A endometriose não afetou em nada o nosso relacionamento, ao contrário, nos uniu ainda mais. Eu não acreditava mais em nenhum médico, mas a pedido do meu noivo fui atrás de outro ginecologista. Eu liguei em vários lugares e nada de especialista em endometriose, porque quando atendia ao telefone eu não perguntava se era só especialista em endometriose, mais sim, se o médico realizava videolaparoscopia ginecológica.

De tanto ligar, eu achei um no Hospital Nipo-Brasileiro. Marquei para 04 de maio de 2010, o primeiro encontro com meu anjo. É assim que considero o meu atual ginecologista. Qual é o nome dele? Calma! Vou citar. Quando a atendente marcou e disse que eu iria passar com o dr. Hélio Sato, começou a minha busca por informações sobre ele na internet. Olha só, o que os péssimos profissionais me fizeram, desconfiar de todos os outros médicos. Foi nesta busca que cheguei a este blog, onde mesmo sem saber, a senhorita Caroline Salazar teve um papel muito importante. Até então, eu achava que só eu tinha aqueles problemas. Quando comecei a ler a história dela, fui logo me identificando em vários pontos. Aí, percebi que a minha força de vontade tinha ido dar uma voltinha e, por lá, se perdeu. Com a história da Carol, eu fiz questão de procurar a minha força de vontade. E fiz ainda mais questão, que ela voltasse para a minha vida. E, por diversas vezes, eu li e reli a história dela. Isso me fez ficar um pouco mais forte nos momentos de desespero e tristeza. Percebi que ela era paciente do dr. Hélio. Isso me passou mais segurança e fiquei um pouco mais tranquila em relação a ele.

Chegou o dia tão esperado, o da consulta. Entrei na sala totalmente insegura e com muito medo (o dr. Hélio sabe disso). Na realidade, eu estava preparada para descontar toda a minha raiva nele (tadinho!). Mas ele é um EXCELENTE profissional, muito sério, me escutou e fez algo que eu jamais imaginaria que algum médico poderia fazer. Era como se eu não soubesse que eu tinha endometriose, e como se fosse a primeira vez, que eu estava falando com alguém sobre o problema. Ele me deu uma explicação com todos os detalhes sobre a doença. A anamnese (entrevista realizada pelo profissional com o seu paciente, no qual o objetivo é relacionar fatos ao diagnóstico de uma doença) dele foi diferente. Ele não esperou que eu contasse os fatos, ele foi perguntando e eu respondendo. Geralmente, os profissionais dizem assim: “o que acontece com você?”. Ai você explica e o profissional faz algumas perguntas de acordo com o que você diz. Mas nisso, você pode não se lembrar de alguns detalhe (muito importantes), ou sentir vergonha de contar outros. Então, em outras palavras, ele faz de uma forma que não deixa a paciente constrangida. Ele foi e é muito atencioso, compreensivo, educado... Depois de tantos médicos inexperientes que passei, finalmente achei um que realmente entende de endometriose. Eu só tenho elogios a fazer desse ser humano fantástico chamado Hélio Sato. Embora fosse minha primeira consulta, os pontos foram bem positivos em relação a ele. Ele solicitou vários exames, inclusive, uma ressonância magnética de pelve. O resultado do laudo foi o seguinte: “sinais de endometriose profunda nas regiões retrocervical, tórus uterino e no fórnice vaginal posterior, acentuando processos aderencial no compartimento posterior da pelve e cisto no ovário esquerdo compatível com endometrioma”. No retorno com o dr. Hélio, ele prescreveu uma medicação para eu fazer uso por dois meses para ver se as dores diminuíam, mas foi em vão. As dores eram horríveis e, a cada dia, só piorava. O bom, é que ele acreditava nos meus sintomas, nunca fez nenhuma graça com relação às dores. Em algumas consultas, o meu olho enchia de lágrimas. Eu sei que ele percebia, mas sempre com muita calma, conversava comigo e me enchia de confiança. Como bom profissional que ele é, solicitou mais um ultrassom, onde o laudo não teve alteração. Então, ele comunicou que iria realizar uma videolaparoscopia (se dependesse de mim, já teria feito no mesmo dia, mas infelizmente a agenda dele é bem concorrida). Era 16 de agosto e a video foi marcada para o dia 28 de setembro.

No dia da cirurgia, ao contrário de muitas pessoas que fazem cirurgias, eu estava bem tranquila. Devido ao jejum, estava mal-humorada, mas louca para me livrar das malditas dores. Eu não sabia como seria o pós-anestésico dessa vez. Na primeira cirurgia, eu passei muito mal. Mas mesmo assim, estava confiante, o anestesista já sabia o que tinha acontecido e, com certeza, já iria tomar providência para um retorno mais sossegado. Por volta das 21h fui para o centro cirúrgico, e fiquei aguardando o dr. Hélio acabar outra cirurgia. Mais ou menos uns 20 minutos depois ele apareceu, como sempre, todo cheio de atenção. Ficou o tempo todo conversando comigo, e a última frase que eu escutei foi “bons sonhos, Hosana!”. Acordei sem ninguém me chamar e percebi que já estava na sala de recuperação. Lembro que a primeira coisa que fiz foi passar a mão para ver o tamanho dos curativos (queria saber se tinha sido feito só a video ou se tinha ocorrido laparotomia de novo, foi só a videolaparoscopia mesmo, ufa!). Dormia e acordava o tempo todo, não me lembro de muitas coisas, mas graças a Deus, não passei mal. O médico me liberou para voltar para o quarto por volta da 1h30 da madrugada. Minha mãe e meu noivo estavam lá me esperando. Como foi bom rever as pessoas que eu amo. Fui muito bem tratada por todas as enfermeiras. O dr. Hélio ligou pela manhã e, no final da tarde, eu recebi alta, ou seja, o tempo todo eu recebi atenção.

Sete dias após a cirurgia, retornei ao consultório do dr. Hélio. Eu estava bem e sem dores. Mas como nem tudo é perfeito, lá vem à notícia de que eu precisava tomar mais uma dose de Zoladex 10,8 mg. Eu não queria, mas por falta de opção tive de aceitar. Essa dose foi aplicada dois dias depois (estava com medo), mas não senti nada. O dr. Hélio foi muito cuidadoso, pois, nas outras doses, eu passei muito mal, senti muita dor e no local da aplicação ficou um hematoma bem feio por muitos dias. Dessa vez, foi diferente. Até nisso o dr. Hélio conseguiu ser perfeito. Por incrível que pareça, eu não senti dor e não ficou nenhum hematoma. Os efeitos colaterais do Zoladex logo surgiram, mas com menos intensidade, devido ao uso de outras medicações prescritas exatamente com o objetivo de amenizar esses efeitos. Nessa última dose engordei mais cinco quilos, ou seja, 23 quilos a mais do meu peso. Quero o meu corpo de volta e estou me esforçando para isso. Está difícil, mas vou conseguir. Durante este período, me afastei das pessoas, estou com minha autoestima baixa. Não consigo ficar escutando comentários idiotas do tipo: “nossa como você está gorda”. E, quando conto o que aconteceu, algumas pessoas logo dizem: “fulana tem endometriose e não sente nada, por que você sente?”, ou “fulana teve, fez cirurgia e está curada”, enfim, são tantos comentários sem base que me irrita só de ouví-los. No momento, não sinto dores, e o meu ciclo menstrual logo mais estará de volta. Inclusive, já estou tomando medicação para isso. O dr. Hélio está me acompanhando e orientado, então seja o que Deus quiser. Eu não sei o que ainda vem por aí, mais serei forte para enfrentar qualquer coisa com esperança e fé. Sei exatamente como são as dores e os problemas que todas passam, mas força meninas! Vamos caminhar com otimismo, um dia a cura vai chegar.
Um beijo carinhoso! Hosana Santana

terça-feira, 1 de março de 2011

MAIS 11 SEGUIDORAS NO BLOG! JÁ ESTAMOS COM 52! DEVEMOS TER DIREITO A APOSENTADORIA, OU A UMA AJUDA DE CUSTO?

Em dez dias já são mais 11 seguidoras no blog. Só hoje, mais cinco pessoas se juntaram a ele. Com o preconceito que sofremos, eu não imaginaria que pudesse ter mais de 50 seguidores, em menos de um ano de blog. O A Endometriose e EU agradece de coração. Sejam todos muito bem vindos. Juntos, lutaremos para que, em breve, os brasileiros passem a conhecer e a entender um pouco mais sobre a triste realidade de quem sofre com esta terrível doença. Hoje, a endometriose está presente em 15% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil, ou seja, mais de seis milhões de pessoas. O meu objetivo é que futuras gerações de mulheres portadoras não sofram o preconceito e a dor que nós sofremos. Para isso, temos que alertar as adolescentes e suas mães. Cólica não é normal, mas se você tomar um analgésico e não melhorar, desconfie! Você pode ser portadora de endometriose. Recebi um comentário da Ana, de Recife, que também não consegue trabalhar. Na verdade, já faz tempo que Ana entra em contato comigo, há quase um ano e, até hoje, ela não conseguiu fazer a cirurgia pelo SUS de seu estado. Eu já falei pra ela denunciar o caso em algum jornal local. Ela interna e, depois, mandam-a embora do hospital sem dar nenhuma satisfação, como se ela fosse qualquer coisa. Ana perguntou se sou a favor de uma aposentadoria às mulheres que sofrem com endometriose, mas não conseguem trabalhar? Então, Ana, eu sou a favor de algo em prol das portadoras que não conseguem trabalhar, sim. Não sei se uma aposentadoria, ou se uma ajuda de custo por, pelo menos, enquanto a mulher estiver em tratamento. Mas neste país, infelizmente, o trabalhador honesto não tem direito a nada. Apenas os abastardos pelo poder e pela grana e, em sua maioria, políticos, muitos corruptos são os que têm direito a usufruir de uma boa saúde, de uma boa educação. Enfim, de uma vida digna, onde podem se tratar, ter dinheiro para pagar as contas como aluguel, água, luz, gás. E, com isso, poder dormir com a cabeça tranquila. Mas não é isso que acontece aqui! Os políticos nos roubam na cara dura e, ninguém pune, nada acontece com eles. Aí vem outro e faz muito pior e, por aí vai. Ouvi dizer que a digníssima presidente já discutiu sobre as diretrizes da saúde da mulher para 2011 e, a endo, nem sequer foi mencionada. Ao que tudo indica Dilma Rousseff ainda não sabe o que é, e quais as graves consequências que a endo traz para a vida de uma mulher? Pelo visto, não! Beijos com carinho!